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Poin, poft, cabum!

Tem sido divertido fazer o blog e ir descobrindo um pouco mais sobre o universo das histórias contadas em poucos quadros. As tirinhas são um tipo de narrativa em quadrinhos, com a singularidade da quantidade de quadros, que formam, obviamente, uma tira. As histórias são resumidas o máximo possível, e para obterem sucesso, é bom que tenham fim em si mesmas, com um fechamento que provoque surpresa, (ou não).

O humor é quase que obrigatório na história das tirinhas. Por mais que se trate de assuntos duros, sobre leis, direitos humanos, é preciso pitacos de graça, de preferência, sútis gracejos, que provoquem risos internos. É raro ver gargalhadas de alguém que está lendo uma tirinha, mas completamente possível.
Nem sempre existiram os diálogos em balões, que caracterizam as histórias em quadrinhos. Os enredos eram contados por narradores (observadores) que descreviam quadro a quadro: os balões tornaram os quadrinhos mais dinâmicos, deixando a leitura mais fluida. O primeiro personagem que “aprendeu a falar” foi o The Yellow Kid, publicado em periódicos norte-americanos a partir de 1896, e é considerado o primeiro personagem dos quadrinhos, e dá nome, inclusive, a um dos principais prêmios dos quadrinhos.

Outra característica muito importante das tirinhas é sua publicação periódica em jornais diários. Hoje em dia podemos considerar também a publicação em internet, revistas especializadas, livros, mas o mais comum é conhecermos as tirinhas do jornal, até porque foi assim que elas começaram e se consolidaram. Isso fez com que as tirinhas criassem com o público uma intimidade gigantesca, construindo um imaginário coletivo no ocidente e no oriente. Mesmo atualmente não sendo mais de tanto impacto como no começo do séc XX.

Não podemos esquecer, entretanto, que o que faz de cada tirinha singular é o traço do autor. Assim como cada um de nós tem a boca do pai e o jeito de andar da mãe, as ilustrações (não só das HQ) herda as características de quem as desenhou. Um estilo mais sujo, um estilo mais infantil, outro mais pro preto, um outro mais oriental, e por aí vai. Como a caligrafia que cada um tem a sua, o ilustrador desenvolve seus desenhos conforme seu estilo próprio, conforme o estilo que quer imprimir ao personagem.

Fonte: Almanaque dos Quadrinhos – 100 anos de uma mídia popular. De Carlos Patati e Flávio Braga.

Estava eu passeando pelo cartum e entrei no post que Pi(menta) tinha colocado há algumas semanas, em que dois estudantes argentinos estão desenvolvendo uma pesquisa que compara tirinhas de todo o mundo e aponta semelhanças e plágios entre elas… Eis que me deparo com uma comparação entre Liniers e Quino, nas tirinhas de Macanudo e Mafalda.

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Quem foi que “absorveu” a idéia do outro?

Que estranho…

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Foi impressão minha ou tem um quê de Mafalda nessa tirinha?

Esse eu não conhecia…

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E eis que pós-feriadão resolvo, para a alegria de minha colega pi, abrir o cartum e me deparo com essa tirinha. Nunca tinha ouvido falar de Macanudo, muito menos de Liniers, mas não é que foi uma boa surpresa. Além de treinar mi spañol fodón ainda me divertido com o humor do cara: simples, uma linhas infantis e temas bem gerais. Valeu, pi, pela dica!

Pra quem quiser conhecer um pouco mais de Macanudo e de outras tirinhas feitas por Liniers (e são muitas), pode entrar no site do Nacion e procurar humor e depois clicar em Macanudo por Liniers. Eu não coloquei o link direto porque tava dando problema.

Macanudo

Não sei se vocês têm percebido, mas nós estamos trocando as imagens do topo às quintas-feiras. Não há uma lógica nisso, o pensamento é só que seja trocado toda semana. Nesta semana que inclui o feriado da independência vamos dar uma olhadinha na obra do Liniers, mais um argentino que faz lindas ilustrações e tem um ótimo humor. Vamos ter que treinar um pouco o espanhol para ler porque as tirinhas não foram ainda traduzidas, mas sinceramente, não há grandes problemas.

Para homenagear a quinta-feira travestida de sexta: um quadrinho do Liniers.

Macanudo

Bom fim de semana!

ctrl + c / ctrl + v ?

Um blog de dois estudantes de comunicação argentinos que encontram semelhanças entre tirinhas. É incrível como as histórias se repetem de forma igualzinha entre personagens diferentes, e caem muito bem. Será que são chupadas, ou são temáticas que são extremamente válidas seja em que cultura for, para que personagem for?

Aqui um exemplo que eles dão no blog de dois clássicos das tirinhas porteñas: Maitena e Quino.

link: semejanzas

Dar voz a quem não tem

O tal do Lucas é gente boa, brinca, se diverte, ajuda os outros, tem medo de monstros que vivem debaixo da cama dele… Mas me incomoda ele e os outros personagens serem tão politicamente corretos. Parece que a tirinha tem um objetivo claro de dar voz a quem não tem (literalmente), mas eu discordo que isso deva ser feito com diálogos tão claros de “pregação” da caridade, da tolerância. O autor começou a escrever as histórias depois ter sido por um tempo arte-educador com crianças autistas, entre outros. E por isso mesmo resolveu colocar nos quadrinhos o mundo infantil que não é tão cor de rosa assim como no show da xuxa. Dou todo o crédito por fazer tirinhas tão premiadas, que trazem temáticas não muito tratadas por aí. Mas olha que diálogo surreal:

Alguma tirinhas têm sacadas melhores, e ter tão variados tipos de deficiências físicas e psicológicas convivendo com outros tipos ditos “normais” com vários problemas também é excelente, mas a maioria dos diálogos que eu tenho lido caem numa chatice de “vamos respeitar as diferenças” que trazem este estigma que a arte-educação é algo necessariamente chato. Acho importante o trabalho, mas acredito que pode-ser fazer o bem, sem dizer de forma tão óbvia. 

links: fala menino

Fala Menino

Lucas é mudo. Caio é cadeirante. Rafael é cego. Mateus é autista. Essa turminha bastante especial é uma parte da famosa tirinha Fala Menino, do cartunista e escritor baiano, Luis Augusto Gouveia. Publicados pela primeiva vez em 1996, no Jornal A Tarde, os desenhos do autor chamaram atenção pelas situações vivenciadas pelos personagens, uma turminha que tem que lidar com os dilemas da infância, dialogando com o mundo dos adultos de um jeito muito especial.

Apesar das necessidades especiais que os personagens possuem, o que diferencia os traços de Luis Augusto é não cair no arquétipo da cartilha contra o preconceito. As crianças, apesar das limitações físicas, não permitem que isso impeçam de realizar as ações típicas da infância, como as brincadeiras, as paqueras, os sonhos. Tudo isso de um jeito muito bem humorado e, apesar de tudo, otimista.

Os desenhos de Luis Augusto Gouveia foram premiados pela UNICEF, inclusive no Prêmio Ibero Americano de Comunicação pelos Direitos da Infância.

Lucas

Outra personagem criança será o mote do cartum. Esta semana iremos nos debruçar um pouco sobre a obra do cartunista e escritor baiano Luis Augusto: basicamente sobre o Fala menino! Até breve.

 

Crie sua tirinha!

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Ok. A tirinha é tosca. Fui eu mesma quem fiz. Descobri navegando por aí um gerador de tirinhas online. Ele te dá tudo pronto, os personagens, objetos, balões…. você monta do jeito que quiser, e disponibiliza no site deles. Quem sabe alguém tem mais êxito… eu acabo de me aposentar na carreira.

o endereço é http://stripgenerator.com/ 

Numa época em que muitos regimes autoritários pipocavam na América do Sul, nasce uma menina que aparece para contestar as visões sobre a política, moral, economia e cultura do mundo ao seu redor. Ela odeia o racismo, injustiças, as armas nucleares, as ridículas convenções do mundo adulto… e suas falas são principalmente vinculadas a luta dos direitos humanos.  Mafalda conversa abertamente com seus pais, dá conselhos para seus amigos e para tudo ela tem uma opinião.

É muito interessante a personagem ser uma criança contestadora, numa época que as crianças não tinham muita vez. Direitos das crianças não eram assuntos da agenda de discussões: no Brasil só em 1990 entra em vigor o Estatuto da Criança e do Adolescente. Além disso, Mafalda não é por acaso uma mulher. O feminismo na década de 60 ganha um folego muito grande e passa a defender que a hierarquia entre os sexos era uma construção social. Na Argentina tem  movimentos importantes como as mães da praça de maio, além de terem eleito a primeira mulher (Isabel Péron) para presidente na América Latina. 

Os amigos da Mafalda caracterizam toda a sociedade ao seu redor. Uma amiguinha, a Susanita,  que quer casar de qualquer jeito,  o Manolito que é materialista ferrenho, outros como os sonhadores Felipe e Miguelito… enquanto Mafalda estava ali para contestar tudo que lhe era imposto: até a sopa que sua mãe a obrigava a tomar e ela odiava.  Ah, ela amava os Beatles e queria ser “alguém na vida”, fazendo um curso universitário.  

O Quino, seu criador, serviu um ano no serviço militar obrigatório, o que lhe deu muita angústia e mais uma força para se expressar a favor da liberdade. A partir de 54 começa a publicar quadrinhos de humor, e só em 64 cria a Mafalda e todo seu universo. Em 1970 um dos livros da personagem é censurado, e uma faixa negra dizia que o livro era permitido apenas para adultos. Em 1973, Quino anuncia que não irá mais publicar tiras inéditas da personagem, porque já achava que ela tinha cumprido seu papel. Mafalda foi traduzida para muitas línguas e encanta todo o mundo até hoje.

quino

links: Anti menina dos olhos ; quino- página oficial ; como nasceu a mafalda ; alguns vídeos da mafalda; outros vídeosMafalda.net

Muitas tirinhas infantis fizeram sucesso ao longos destes anos. Mas, certamente, poucas fizeram tanto sucesso como o pequeno personagem existencialista do cartunista, Quino. Irônica, levemente mal-humorada, aparentemente inocente, o personagem foi concebido para uma campanha publicitáriade de uma empresa de eletrodomésticos, que procurava uma “mistura de Blondie com Peanuts”. Porém, o esboço do personagem não foi utilizado pela agência responsável pela campanha.

Só em 29 de setembro de 1964, o semanal Primeira Plan, de Buenos Aires, publica as primeiras tiras de Mafalda regularmente.

Em 1966, é publicado o primeiro livro que reúne, em ordem cronológica, todas as tirinhas de Mafalda. “Así es la cosa, Mafalda” torna-se um grande sucesso no Natal de 66, e o livro alcança 5.000 tiragens.

Em 1977, a UNICEF “convida” Mafalda para ser a estrela de sua campanha internacional pela Declaração dos Direitos da Criança.

Ao completar 25 anos, em 1989, Mafalda ganha uma exposição que reúne uma coleção de documentos, publicações antigas e inéditas, no Teatro San Martín, em Buenos Aires.

Cinco anos mais tarde, Mafalda ganha a telinha, com desenhos de 1 minuto de duração exibidos pelas tv´s argentina e espanhola. Na comemoração de seus 30 anos, Mafalda é homenageada com uma praça no bairro de Colegiales, em Buenos Aires.

Famosa por suas perguntas sobre humanidade, paz, direitos humanos, que quase sempre deixavam qualquer adulto constrangidos, Mafalda foi “assassinada” pelo seu autor, Quino, que temia que ele fosse perdendo a força pelo cansaço, como já havia acontecido com outros grandes personagens.

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