Pois bem, como prometido, aqui está uma entrevista bem legal com a autora das famosas tirinhas Rabuga. O nome da moça é Caroline Feitosa, ela é estudante de psicologia da UFBA, e entre um livro e outro de Freud e Jung, dedica o seu tempo com essa menininha branquela, gordinha e de cabelos vermelhos…e muito fofa.
Cartum!
Como rabuga surgiu em sua vida?
Caroline Feitosa
Comecei a fazer a Rabuga há mais ou menos um ano… foi uma idéia meio perdida, que eu sempre quis fazer, mas que não levava à frente por causa da falta de aptidão com desenho. Depois de um tempo eu percebi que não é a perfeição do desenho que faz uma boa tira, ou uma boa Hq, mas a idéia e o “como” se coloca essa idéia no papel. A partir daí, comecei a desenhar, e desenhar, mesmo de um jeito torto e simples…
Cartum!
De onde vem a inspiração?
Carol
Não sei dizer exatamente de onde vem a inspiração… às vezes as idéias vêm de coisas bobas, como ficar dez minutos a mais no ponto de ônibus, e enquanto isso pensar em mil coisas, mil situações.. por exemplo… sei lá, penso algo sobre o tempo, sobre como se perde tempo esperando… e daí penso em como eu também espero por mim, por certas posturas, por certas mudanças… e pronto.. porque não fazer uma tira sobre esperar por si mesmo..?
Cartum!
Estudar psicologia influencia na personagem?
Carol
Acho que é um limiar muito sutil entre o que faço no dia-a-dia, ou estudo, com as tiras. Não tem como dizer onde acaba um, ou começa o outro… onde aqui é influência da psicologia, e aqui de algum livro, ou de qualquer outra coisa. Acho que estaria mentindo se dissesse que a psicologia não influencia nos meus trabalhos… mas acho que ela influencia tanto quanto esperar meia hora pelo ônibus, comer chocolate muito mais do que deveria, as conversas de mesa de bar, os contos lidos antes de dormir, os quadrinhos devorados em sala de espera, música que se ouve baixinho durante o banho, a eterna insatisfação com o “querer mudar” e ficar vendo o tempo passar…
Cartum!
Rabuga será sempre um ser solitário ou ela terá amigos algum dia?
Carol
Pois é, tentei criar outros personagens, mas o único com o qual consegui levar umas tiras adiante foi o personagem que entrou no Salão de piracicaba desse ano, ele ainda não tem nome, e eu acabo sempre deixando o coitado de lado.. mas é um moço cuja cabeça possui uma fissura que deixa certos conteúdos escaparem..
Cartum!
Você participou do salão Universitário de Humor de Piracicaba e a Exposição
“Algumas”, em ssa. Pretende montar alguma exposição por agora?
Carol
Montar uma exposição eu não sei, mas gostaria muito de produzir um fanzine..
Cartum!
Como surgiu o convite para publicar no A Tarde?
Carol
O convite do jornal surgiu na abertura da exposição “degustação”. Nadja já conhecia as tirinhas, e “sobrou” um espaço no qual caberia uma charge, ou uma tira. Comecei a desenhar nesse formato, e, por enquanto, estamos fazendo uma experiência.
Cartum!
O que você acha dos limites dos quadros? Ajuda ou atrapalha?
Carol
Ajuda e atrapalha. Gosto de fazer os desenhos mais soltos, sem enquadramento.. mas acho também que ter dimensões pré-estabelecidas te obriga a repensar muita coisa no desenho, e no próprio texto.. ver o que está sobrando, ou o que pode ser adicionado pra preencher aquele espaço.. e acho que no fim das contas isso acaba ajudando a aperfeiçoar a dinâmica do quadrinho.
Cartum!
De onde você tira tanta rabugentice? Você parece tão contente e feliz.
Carol
(risos e muito silêncio) me pergunto isso todos os dias quando acordo..
Muito legal =)
=***
eca, a língua da rabuga não é fofa.
estou fazendo um estudo e preciso de saber o que é cartum
Linda; vc fez resurgi em mim um sonhe que se pre tive. Criar um bom personagem de tirinhas. “Depois de um tempo eu percebi que não é a perfeição do desenho que faz uma boa tira” … Tenho problemas semelhantes! Além de tambem estudar psicologia, mas na UFRB. Espero ver um dia rabuga publicado em larga escala no Brasil, com seu humor inteligente e reflexivel.
Com muito amor e carinho, que coisas boas lhe venham pra pra você Caroline Feitosa.
Groba
Caroll..
Muitaaa saudadee!
A M O a Rabuga, me identifico muito com ela..
Gostei muito da entrevista, felicidade benhÊ!
Beijos.
=]