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Este blog não será mais atualizado. Manterei ele no ar, por causa dos arquivos.

Se quiserem se comunicar comigo, mandem email para falecomcartum@gmail.com e cliquem nos links ao lado para continuarem passeando pelo mundo das tirinhas…

 

Vida Besta

oposto do politicamente correto, vem aí…..Vida Besta.

Para reconstruir fatos, veicular informações a que não se teve acesso direto de imagens via ilustração, histórias em quadrinhos é até comum, principalmente em jornalismo policial. Mas é possível usar os quadrinhos para relatar um fato corriqueiro, ou contar uma história que não cabe em fotos, ou ilustrar uma fala de seu entrevistado. Alguns acham que as tirinhas tiram do jornalismo a credibilidade, mas o jornalismo gráfico já é tendência desde a dec. de 90 com muitos livros publicados principalemente pela Conrad.  Leia a matéria.

Depois da avalanche de participação no post anterior, ficamos um pouco recuados. Sinceramente, não esperavamos. Voltaremos com atualizações ainda esta semana.  Pódexá.

Há alguns posts atrás, escrevi sobre o fala, menino!, quadrinhos do baiano Luis Augusto, que já recebeu o Prêmio Ibero Americano de Comunicação pelos Direitos da Infância da UNICEF e desde 2005 recebe patrocínio da Coelba para a produção de desenhos animados. Se reparar bem, todo mês nas contas de luz que chegam nas nossas casas, tem uma tirinha diferente do fala, menino!. 

A tirinha de setembro foi esta:

Gatos e Gatos

(fiz uma pequena interferência, porque na conta de luz daqui de casa, o balão amarelo foi atingido por uma caneta esferográfica descontrolada)

Eu volto a me perguntar, até quando o politicamente correto é correto? Essa tentativa de traçar regras de convivência entre os diferentes e dizer que todos devem amar o próximo, não ter preconceito, não discutir com o amigo, sorrir e achar que a televisão é um monstro…é, sinceramente, um saco!  

Admito que o Fala, menino! as vezes tem coisas muito legais, e a tentativa de ter personagens com tanta diversidade também me agrada. Mas vem cá, quando numa mesma turma de amigos vai existir um autista, um cego, um mudo, um cadeirante (esse nome é péssimo), um menino de rua, uma patricinha, gêmeos, um japa, um cdf e um menino adotado? Para discutir a diferença, o autor criou uma circunstância inexistente ideal para tratar de todos os assuntos da agenda social sobre a diversidade. O que me parece é que ele entrou em um nicho do mercado para a área social, não me parece arte, e pra mim deseduca mais que educa (se é que um quadrinho tem esse papel de educar alguém). Quando perguntado numa entrevista sobre o “corretismo”, ele responde:

“É estranho falar em politicamente correto num país onde a palavra política quase nunca é associada a algo correto, soa meio contraditório. Geralmente esse termo também é associado ao chato, ao patrulhamento. A criança não é assim, ela observa, estranha e fala.”

Estou, portanto, de acordo com o autor. Mas ele se contradiz. Criança é sincera, tem razão. Mas criança não assimila em seu vocabulário discurso de O.N.G., e muito menos iria explicar a uma outra criança sobre gato de energia. Soa falso. É estranho. É chato.

Eu voltei a escrever sobre ele porque recebi um email que me instigou a isso. Se vocês repararem na tirinha, quem faz o gato é um menino negro, quem ensina é uma loira. Como é isso? O diálogo do politicamente correto só vale pro menino que não vê, pro menino que não fala, pro que não anda? E o negro também não tem que ser visto como o diferente que tem que ser tratado como igual? Meu objetivo aqui não é querer ser polêmica, mas entra na questão agora um outro movimento mais chato que o do “politicamente correto” que é o discurso do movimento negro. Será que eu fui infectada e estou vendo coisa onde não existe? Que o menino é negro, mas poderia ser branco, e não tem nada a ver?

Recebi um email com a fala de um diretor do CEAO (Centro de Estudos Afro Orientais) sobre a tirinha: 

“É para ficarmos pasmos e estarrecidos com a fatura da conta de energia elétrica do mês de outubro/2007. Não me refiro ao valor, mas ao conteúdo preconceituoso no texto e desenho exposto em ” A Coelba apresenta Gatos e Gatos”. Duas crianças de fenótipo branco ou oriental são avisadas por uma criança loura que o vizinho delas (uma criança negra em cima de uma escada) estava fazendo “gato de energia” . E mais: o vizinho negro só teria desistido depois que a criança loura “explica”, leia-se ensina, sobre os riscos familiares e para o fato de que “gato é crime sério”. O texto termina com uma associação de gato com beleza, aludindo-a à uma criança branca. Nesses tempos de combate ao preconceito no espaço público somos obrigados a receber e a manter/guardar nos nossos espaços privados uma peça de cunho racista. Inúmeras empresas utilizam peças sobre a diversidade, a inclusão e a responsabilidade social, e não estereótipos tão danosos”.

Jocélio Teles dos Santos – Diretor do Ceao-UFBA

O Jocélio parece desconhecer inteiramente o Fala, menino! e tem um discurso marcado por jargões do movimento, mas tive que concordar com ele. Diz aí se não foi uma pisada na bola gigantesca que contradiz toda a construção das tirinhas?

Estou aqui para deixar meu protesto. Sou contra! Contra educação para construção de pessoas chatas. Quero saber se alguém vai deixar de fazer gato depois de ler essa tirinha! Desde aquela cartilha que o governo federal tentou implantar (com fracasso) que dizia que não se podia chamar anão de anão, mas de desfavorecido verticalmente, eu não sou favorável a nada que queira dizer outra coisa além do que realmente é. Se o cara é anão, chame de anão. Se é cego, chame de cego. Se é criança, chame de criança, e trate como tal. E não como mini-adultos que dizem coisas surreais como “gato é crime sério”.

enquete

O blog não acabou! Voltamos essa semana. Para isso estamos pesquisando, qual personagem de tirinha você acha que deve estar no topo do nosso blog? Votem !

Que personagem deve ser o topo do blog semana que vem?
Menino Maluquinho
Algum do Laerte
Xaxado
Algum da Maitena
As cobras do Verissimo
Calvin
Alguma que eu não conheça
Nenhuma. Acaba logo com esse blog

O cartum! entrevista Rabuga

Pois bem, como prometido, aqui está uma entrevista bem legal com a autora das famosas tirinhas Rabuga. O nome da moça é Caroline Feitosa, ela é estudante de psicologia da UFBA, e entre um livro e outro de Freud e Jung, dedica o seu tempo com essa menininha branquela, gordinha e de cabelos vermelhos…e muito fofa.

Cartum!
Como rabuga surgiu em sua vida?

Caroline Feitosa
Comecei a fazer a Rabuga há mais ou menos um ano… foi uma idéia meio perdida, que eu sempre quis fazer, mas que não levava à frente por causa da falta de aptidão com desenho. Depois de um tempo eu percebi que não é a perfeição do desenho que faz uma boa tira, ou uma boa Hq, mas a idéia e o “como” se coloca essa idéia no papel. A partir daí, comecei a desenhar, e desenhar, mesmo de um jeito torto e simples…

 

Cartum!
De onde vem a inspiração?

Carol
Não sei dizer exatamente de onde vem a inspiração… às vezes as idéias vêm de coisas bobas, como ficar dez minutos a mais no ponto de ônibus, e enquanto isso pensar em mil coisas, mil situações.. por exemplo… sei lá, penso algo sobre o tempo, sobre como se perde tempo esperando… e daí penso em como eu também espero por mim, por certas posturas, por certas mudanças… e pronto.. porque não fazer uma tira sobre esperar por si mesmo..?

 

Cartum!
Estudar psicologia influencia na personagem?

Carol
Acho que é um limiar muito sutil entre o que faço no dia-a-dia, ou estudo, com as tiras. Não tem como dizer onde acaba um, ou começa o outro… onde aqui é influência da psicologia, e aqui de algum livro, ou de qualquer outra coisa. Acho que estaria mentindo se dissesse que a psicologia não influencia nos meus trabalhos… mas acho que ela influencia tanto quanto esperar meia hora pelo ônibus, comer chocolate muito mais do que deveria, as conversas de mesa de bar, os contos lidos antes de dormir, os quadrinhos devorados em sala de espera, música que se ouve baixinho durante o banho, a eterna insatisfação com o “querer mudar” e ficar vendo o tempo passar…

 

Cartum!
Rabuga será sempre um ser solitário ou ela terá amigos algum dia?

Carol
Pois é, tentei criar outros personagens, mas o único com o qual consegui levar umas tiras adiante foi o personagem que entrou no Salão de piracicaba desse ano, ele ainda não tem nome, e eu acabo sempre deixando o coitado de lado.. mas é um moço cuja cabeça possui uma fissura que deixa certos conteúdos escaparem..

 

Cartum!
Você participou do salão Universitário de Humor de Piracicaba e a Exposição
“Algumas”, em ssa. Pretende montar alguma exposição por agora?

Carol
Montar uma exposição eu não sei, mas gostaria muito de produzir um fanzine..

 

Cartum!
Como surgiu o convite para publicar no A Tarde?

Carol
O convite do jornal surgiu na abertura da exposição “degustação”. Nadja já conhecia as tirinhas, e “sobrou” um espaço no qual caberia uma charge, ou uma tira. Comecei a desenhar nesse formato, e, por enquanto, estamos fazendo uma experiência.

 

Cartum!
O que você acha dos limites dos quadros? Ajuda ou atrapalha?

Carol
Ajuda e atrapalha. Gosto de fazer os desenhos mais soltos, sem enquadramento.. mas acho também que ter dimensões pré-estabelecidas te obriga a repensar muita coisa no desenho, e no próprio texto.. ver o que está sobrando, ou o que pode ser adicionado pra preencher aquele espaço.. e acho que no fim das contas isso acaba ajudando a aperfeiçoar a dinâmica do quadrinho.

 

Cartum!
De onde você tira tanta rabugentice? Você parece tão contente e feliz.

Carol
(risos e muito silêncio) me pergunto isso todos os dias quando acordo..

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